Ideias antigas

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Apenas uma relíquia do Plioceno...

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Ñanderu cuê. Avá cuê.

DEUS JÁ ERA. O homem já era. Numa tradução livre do guarani, é assim que eu classificaria os novos desdobramentos da tragédia dos kaiowá e ñandeva da região de Dourados, Mato Grosso do Sul, que foram primeiro abatidos, depois confinados e finalmente desapropriados (de sua fé, de seus símbolos, de seu milho e de suas festas) em reservas que estão entre o sojal e a favela. Agora, cunumîs morrem de desnutrição. No meu tempo, era só enforcamento -- veja como as coisas progridem. Morrem os que ficam na reserva, porque muitos vão para a cidade pedir esmola.
Estive duas vezes na região de Dourados no distante ano de 1997. A situação já era de chorar na época. Os guaranis sempre preferiram a reza ao choro. Ñandejara resolveria.
Só que Ñandejara, se entrou nessa história, foi ao lado da oligarquia rural do gado e da soja, dos herdeiros da Cia Mate Laranjeiras e toda a bandidalha latifundiária à qual pertence o tal Zeca "do PT", em nada diferente de outros governadores da direita ruralista etnocida sul-matogrossense.
Como sabiamente registrou Nimuendajú, "Pei jiroquy, ivaíta ma yvy". Vamos dançar, porque o mundo vai piorar.




10 Comments:

Anonymous Anônimo said...

meu caro,
não seria "curumins" em vez de cunumis?
saudações
Cunhã poranga

5:37 PM  
Blogger Paranthropus said...

Cunhatã-panema,

Você está perdoada por tamanha ignorância das línguas brasílicas. Acontece que tupi, que se falava no litoral brasileiro até a Juréia, e guarani, que se fala até hoje no sul de São Paulo, no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, são idiomas irmãos, pero distintos. Assim, temos "cuêra" em tupi e "cuê" em guarani, "iandé" em tupi e "nde" em guarani, e por aí vai. "Curumins" é um aportuguesamento de "curumî" (com til no final, não com esse circunflexo ridículo de PC), do tupi, cuja transcrição guarani é "cunumî".
Espero tê-la esclarecido.

Ahá jeýma.

4:13 AM  
Anonymous Anônimo said...

Caramba!
Vc tb não precisava ter me arrasado com o adjetivo aí...
Mesmo assim, agradeço seu esclarecimento.
:-(

5:16 AM  
Blogger Paranthropus said...

Bom, se você entendeu o xingamento, não deveria ter levantado dúvida sobre a grafia de "cunumî"...
Cunhatã-cangatã.

7:13 AM  
Anonymous Anônimo said...

Olha, tudo o que eu sei de língua indígena aprendi ouvindo minha avó e bisavó falarem no dia-a-dia, nunca me preocupei se elas falavam certo ou errado. Como tb jamais me preocupei em saber como se escrevia. Daí que foi um atrevimento meu perguntar isso ao nobre mestre. Deveria mesmo ter ido olhar num dicionário antes.
Eu peço desculpas pelo incômodo. Mas digo que vc não vai tomar jamais o lugar da Barbara Gancia.

8:40 AM  
Blogger Paranthropus said...

Avó e bisavó ÍNDIAS?!
Que inveja...
O meu ancestral índio mais próximo era a bisavó da minha mãe, que era krenak, portanto, uma selvagem jê...

8:48 AM  
Anonymous psicodiafanista said...

Só tenho uma coisa a dizer. Alea jacta est.

8:58 AM  
Anonymous ignoramus said...

Allea jacta est é tupi ou guarani?

3:46 PM  
Blogger psicodiafanista said...

Nem sei, mas é tudo língua morta mesmo...

2:43 PM  
Anonymous mffasolo said...

Muito lindo isso!!!
É uma maravilha saber que existem pessoas, como vocês, que discutem sobre nossas orígens!! Parabens!!!

8:26 PM  

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