Ideias antigas

Fósseis, árvores, minorias, filhos e outras coisas fora de moda

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Apenas uma relíquia do Plioceno...

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Está tudo aqui, neste quadro

DEPOIS DE 13 ANOS morando em São Paulo, tive ontem a honra dúbia de conhecer o glorioso Museu do Ipiranga, a construção mastodôntica do século 19 feita para marcar o local onde D. Pedro I blablá, blablá.
O museu é realmente impressionante, não pelo acervo, que é um lixo, nem pela organização, que inexiste, mas pelo que revela sobre o passado e o futuro desta piada de mau gosto chamada Estado brasileiro. Em especial no imenso painel O Grito do Ipiranga, de Pedro Américo.
Quando eu conto aos meus amigos estrangeiros que a independência do Brasil foi proclamada pelo filho do rei da metrópole, eles dão risada. Fico imaginando o que diriam ao ver a tela de Pedro Américo. Uma olhada na pintura basta para entender totalmente o Brasil, e concluir que este é um país absolutamente inviável.
No centro da pintura, as elites confabulam a divisão hereditária do poder e dos lucros. Troque Pedro I por ACM Neto ou Rodrigo Maia, e a comitiva pelo cacicado do pefelê. A única diferença é que o Ipiranga hoje está canalizado, anóxico e corre debaixo do asfalto. À esquerda, descalço e completamente alheio à repartição do país, o miserável rural segue na exploração insustentável de recursos naturais. O que ele carrega na carroça, olhe que atual, é madeira em toras. Finalmente, o barraco de taipa à direita completa a miséria que cerca nossas elites como uma alegoria das favelas brasileiras. Há uma controvérsia sobre a taxonomia das enormes aves escuras que desaparecem no céu, no canto superior direito. Pedro Américo provavelmente quis pintar as águias da liberdade. Um ornitólogo amigo meu jura que são urubus.

Só faltou mesmo um pretinho fazendo uns malabares em frente ao cavalo de D. Pedro.

PS: o museu foi construído com dinheiro arrecadado do público através de uma LOTERIA. A choldra pagou duas vezes aos cleptocratas imperiais.

4 Comments:

Anonymous Daniel Doro Ferrante said...

A imagem do Quilombo dos Palamares (Zumbi) fazendo malabaris em frente ao cavalo de DPedro é absolutamente ilária! Tira qualquer um do sério... ;)

Mas, que dizer dum país aonde o próprio [prédio] do INSS NÃO paga o habitese, ie, não paga o próprio INSS... e se acaba num incendio?! Se não fosse trágico...

Bom, já que vc está em SP, entre em contato comigo, vamos marcar uma pizza ou algo sui generis. ;)

9:30 AM  
Blogger Paranthropus said...

SUI GENERIS? Tá me estranhando, rapá? Meu redemoinho gira no sentido horário!

7:55 AM  
Anonymous Daniel Doro Ferrante said...

Esse papo de "sentar e girar em rodamoinho" não é comigo... mas, de qualquer forma... "Cada um é cada um, e vice-versa."

Aliás, preciso dar um "Vicente Matheus" desses lá no blog do Marcelo [Leite]: Tem uns carinhas que não se mancam... e gostam mesmo é de polemizar, mesmo aonde não há nada.

Anyway: Vc tem "my contact info"... só me falta, agora, be dumped even by a guy! ;)

4:00 AM  
Anonymous Anônimo said...

Daniel, tenho uma receita infalível:

# 3/4 cups blueberries
# 1 tablespoons honey
# 1/4 cup orange juice
# 1/2 tablespoon cornstarch

In a medium saucepan over medium heat, mix the blueberries, honey and half of the orange juice. Bring to a boil. Mix remaining orange juice and cornstarch in a small bowl, and stir into the blueberry mixture. Stir constantly until thickened. Serve warm over waffles or pancakes.

Se ainda assim não funcionar, só lhe restará ir até o restaurante Mestiço e bater ponto lá. Você não acredita quem vai acabar aparecendo...

6:11 PM  

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