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Apenas uma relíquia do Plioceno...

sexta-feira, maio 12, 2006

Be my guest, tayta Morales

AQUELE CHOLO MASCADOR DE COCA IGNORANTE do Evo Morales disse ontem que a Petrobras é "contrabandista" e que o Brasil tem desvios históricos de caráter, amplamente demonstrados quando o país abocanhou o Acre em troca "de un caballo".

É muita ignorância para um chefe de Estado. Inadmissível. Todo mundo sabe que o Acre foi comprado por 2 milhões de libras esterlinas e uma super-ferrovia, a Madeira-Marmoré, que deveria ligar a Bolívia aos portos de Rondônia mas que, até onde consta, nunca foi completada. Custou caro aquele pedaço de nada que só serve para aumentar a distância entre Porto Velho e Iquitos.

Um cavalo! Que biltre! Teria sido, aliás, o preço justo. Mais do que justo. Pensando bem, o Itamaraty deveria honrar a memória de Paranhos e dizer claramente a Evo Morales: quer nacionalizar o gás, nacionalize. Quer nacionalizar as terras, nacionalize. Mas com uma condição: por favor, leve o Acre junto. E não ouse pensar em devolver.

Absurdo? Sim, pode soar absurdo para a esmagadora maioria da população brasileira, que não sabe nem onde fica o Acre. Eu sei BEM onde fica o Acre: morei lá. O Acre fica a quatro horas de Varig de Brasília. Sem vôo direto. Para chegar lá, o cabra precisa passar ou por Várzea Grande (o nome diz tudo) ou por Porto Velho. Animou?

Além de longe, o Acre é crime de estética cartográfica. Aquele apêndice esquisito, que mais parece uma mariposa grudada no Amazonas, sempre foi meu pesadelo nas aulas de desenho de mapas no primário, quando ele ainda se chamava Território Federal do Acre (E pra decorar as porras dos nomes dos territórios?). Já tentou desenhar o Acre num mapa do Brasil? É impossível fazê-lo parecer elegante! Ele não encaixa, não pertence.

Esse crime se torna mais evidente quando você tenta viajar de um município para o outro. Só há uma forma de fazê-lo: voando. Isso porque quase todos os 12 municípios do Estado estão dispostos ao longo da divisa com o Amazonas. A BR-364 só é transitável três meses por ano. E Deus, que pode ser brasileiro mas que deveria estar considerando se naturalizar português quando fez o Acre, xi feix o favoire de dispor todos os rios navegáveis do lugar em linhas paralelas. Antigamente, quando faltava gás em Cruzeiro do Sul, o combustível tinha de ir de balsa de Rio Branco até Lábrea, no rio Solimões (vá olhando o mapa), e subir todo o Juruá. Vinte dias de viagem.

Perfeitamente inviável.

Tão inviável que até hoje o Estado vive de FPE. Tão inviável que nem desmatar eles conseguem, porque não tem para onde escoar a produção. E os solos, obrigado por perguntar, são areia pura. O Acre tem uma geologia de merda. 100% do Estado formado de sedimentos moles. Não tem uma pedra. Dá para imaginar o que é crescer sem ver uma pedra na sua vida? Acho que as línguas indígenas acrenas não têm uma palavra para "pedra".

O Acre tem a floresta mais pobre e os rios mais chochos da Amazônia. Diferentemente do Pará, o Acre não tem cultura própria. Nem gastronomia própria. Foi colonizado por cearenses que passavam o dia inteiro no mato tirando leite de pau e por prostitutas francesas. Deu no que deu.

E só deu em tragédia. Um evento marcante da história do Acre? Um assassinato. Acrenos ilustres? O Carlão, da seleção de vôlei (tem até uma placa em homenagem a ele na praça em frente à prefeitura). O Jarbas Passarinho, aquele que mandou às favas os escrúpulos da consciência. O Tião Viana, aquele que tentou esconder o Mensalão. O HILDEBRANDO PASCOAL. Manja, o homem da motosserra?

Habla sério.

2 Comments:

Blogger simplicista said...

Te cuida, Paranthropus!
http://altino.blogspot.com/2006/05/o-coice-de-diogo-mainardi.html

8:54 AM  
Blogger Paranthropus said...

Eu me esqueci de falar da Laura, minha acreana professora de matemática da sétima série, que até hoje povoa meus pesadelos.

5:28 PM  

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