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Apenas uma relíquia do Plioceno...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O que é isso, deputado?

NEM MESMO UMA cabeça boa como a do companheiro Fernando Gabeira (o último sujeito de esquerda neste país) está isenta de deslizes. Em artigo na página 2 da Folha no sábado e em entrevista hoje ao Valor Econômico, o nobre ambientalista diz, acertadamente, que o aquecimento global não é o fim do mundo e que representa enormes oportunidades. Mas ataca o IPCC, a quem acusa de ter "adotado um tom mais de alarme" em seu último relatório.

Como é que é?

Quem quer que tenha lido o sumário executivo do Terceiro Relatório de Avaliação e depois o do AR4 sabe que a verdade é a inversa: o IPCC nunca foi tão sóbrio. Descartou extremos improváveis, como os decantados 5,8 e 88. Dizem por aí que inclusive eles deixaram dados mais apocalípticos e recentes sobre geleiras de lado deliberadamente (pressão americana?). Se suas conclusões caíram na boca do povo desta vez, é por um fenômeno sociológico-midiático que ninguém conseguiu explicar ainda, mas que meu professor de mecânica do colegial provavelmente chamaria de "momento".

Gabeira também comete um lapso estranho ao dizer ao Valor que o PAC (Programa de Aceleração do Calentamento) é "pré-aquecimento". Desentendi o que ele quis dizer aqui. Mas torço para que não tenha sido um statement stalinista do tipo "antes do AR4 o problema não existia".

8 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Me parece óbvio, pelo contexto, que quando o Gabeira diz que o PAC é "pré-aquecimento" ele avalia que o "plano" não leva em conta de maneira adequada o seu impacto ambiental.

7:03 AM  
Anonymous Cris said...

O IPCC deixou pontos mais extremados de fora sim, mas a presença ou a ausência de certos dados não tira a sobriedade do AR4 quando é visto de forma ampla, integrada. Houve uma escolha consciente de seus membros endurecerem o discurso e se afastar da isenção a que o IPCC costumava se refugiar. Basta pegar o que foi dito (e o que tem sido dito) pelo indiano que dirige aquela casa. Basta deixar de ver o AR4 como uma coleção de papers e sim como um documento político.
Para um órgão inchado como este, no escopo das Nações Unidas, é um grande passo e abre espaço para interpretações como a do deputado, que viu um tom "alarmista" onde normalmente há muitas dúvidas e frases.
E, veja, Gabeira não disse que o tom do IPCC, alarmista ou não, foi desnecessário. O que esvazia este post e, por conseqüência, este comentário. Além disso, como virtual eleitora do político Gabeira, espero que ele consiga converter os não-convertidos do Planalto com os "alarmismos" do IPCC.

2:04 PM  
Anonymous Anônimo said...

Gatinha:
1 - Onde você viu ou leu que o IPCC "costumava se refugiar" em isenção? Peço que cite uma evidência disso pelo menos. Nos oito anos de Bob Watson, isso JAMAIS aconteceu. Ao contrário; Watson NUNCA se furtou a jogar merda no ventilador e a exigir cortes de emissão como única solução para o problema. Por isso foi "desconduzido" de seu posto. O IPCC, em 2001 (antes de muitos leitores deste blog aprenderem a bater punheta), foi vítima de reports e mais reports de "céticos" acusando politização do painel. Talvez você não se lembre disso.

2 - Há um afastamento CONSISTENTE do fraseado qualitativo do TAR (tipo "there's new and strong evidence that most of the warming over the last 50 years is atrributable to human activities") para o fraseado estatístico do AR4 ("it's extremely unlikely [menos de 5% de chance de ocorrer] that the warming observed in the last 50 years can be explained by natural causes only"). Isso é endurecer o discurso?

3 - Pachauri não pode mais silenciar como tem silenciado nos últimos anos. Frase forte por frase forte, George W. Bush também falou forte no discurso dele. Fatos são fatos.

4 - Eu não disse que o Gabeira disse que o tom foi "descenessário". Mas ele certamente viu no relatório um tom alarmista (excessivamente, suponho, já que criticou esse tom) que não se verifica. O IPCC nunca foi tão cuidadoso com sua linguagem. O que é alarmista são os fatos cientíticos.

Mas, de novo, eu posso estar errado. I'm happy to be educated on the issue.

6:07 AM  
Anonymous Cris said...

1. Estou seguindo a linha que você indicou em seu post, comparando o TAR ao AR4. Quem falou em Watson?
2. Sim, isso é endurecer o discurso. Mas não falo apenas do documento. A vida (e especialmente a diplomacia) está longe de se resumir a papers e reports.
3. Pachauri poderia sim ter se silenciado se quisesse.
4. Onde você leu que o Gabeira "criticou esse tom"? Estamos falando de entrevistas diferentes, suponho.

Não tenho de ensinar ninguém de nada. Ao contrário de uns e de outros, não meço as pessoas por quanto tempo elas batem punheta. Você tem sua opinião, eu tenho a minha e o Gabeira tem a dele. "Se o mundo vai acabar, que acabe em democracia."

6:31 AM  
Anonymous Anônimo said...

Continuo aguardando evidências (não precisam ser reports nem papers; podem ser declarações, embora você saiba bem que o IPCC é um órgão técnico e não diplomático) que embasem seu argumento. No hard feelings, ma'am.

8:17 AM  
Anonymous Cris said...

Já as apresentei. O pior cego é aquele que não quer ver.

8:31 AM  
Anonymous Anônimo said...

Claro que apresentou.

8:43 AM  
Anonymous Anônimo said...

Em 2001 eu já sabia tocar punheta.

-- "O outro" anônimo

4:08 PM  

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